A crítica especializada raramente escreveu sobre grandes músicos brasileiros, mesmo aqueles que tiveram brilhante carreira solo, sob a alegada suposição de que o assunto seria de interesse mínimo. Entretanto, nada justifica que soberbos LP´s, cuja a esmagadora maioria jamais foi relançada em cd, sumam no limbo da nossa brasileira memória juntamente com seus intérpretes.
Não promovemos a disseminação de música comercialmente disponível. Discografia em discos de vinil, brazilian vinyl records discography. If you need any help regarding the records please post a comment, I´ll reply, thank you.
Posted on sábado, 31 de outubro de 2009No Comments
Enquanto aguardamos a digitalização dos dois discos que faltam para o blog ficar 100% nesta área (Fats Elpidio e Os Copacabanas), vamos postar algo sobre K-Ximbinho. Gravações raras de suas composições.
A lista está abaixo, são discos muito antigos, 78 rpm em sua maioria, e a qualidade pode não ser a melhor possivel, mas poderemos claramente perceber a versatilidade deste extraordinário músico.
Aproveitem!
1 - Perplexo (K-Ximbinho) com K-Ximbinho e Seu Conjunto - Continental 16722, 1953
2 - Tudo Passa (K-Ximbinho) com K-Ximbinho e Seu Conjunto - Continental 16722, 1953
Posted on segunda-feira, 12 de outubro de 2009comentários (2)
RITMOS MELÓDICOS Nº 4 - Gaúcho e Seu Sexteto
(1957) Rádio 0049-GV
O segundo disco gravado por Auro Pedro Tomaz, o fabuloso Gaúcho, desta feita para a gravadora Rádio também merece alguns comentários.
A começar pelo time de craques que ele convocou: Zequinha Marinho (piano); Baden Powell (guitarra); Gabriel Bezerra (baixo); Dom Um Romão (bateria) e o mestre percussionista Luna. Gaúcho se apresenta com seu incomparável companheiro, um autêntico Dallape italiano.
Vale destacar que esta é a segunda aparição de Baden Powell em discos. A primeira, também em 1957, poucos meses antes desta gravação no segundo volume de A Turma da Gafieira. Mas a sua primeira composição gravada está aqui, o samba-canção Jóia, em parceria com o pianista Zequinha Marinho.
O disco todo é ótimo, com repertório primoroso e com Gaúcho brilhando muito mas dando espaço para seus extraordinários acompanhantes. Vale ressaltar, por último, seu choro Contratempo...o nome diz tudo, espetacular!
A boa regra da escrita pede que evitemos o uso desmedido de adjetivos e advérbios, mas com a Divina Música, como postou um leitor aqui outro dia, impossível não fazê-lo...
Curiosidade retirada da contra-capa que reproduzo na íntegra:
"Estas gravações foram feitas nos estúdios da Fábrica Rádio, utilizando microfones de condensador da marca Telefunken, tipo U-47, gravador de fita da marca Ampex modelo 350, amplificador de gravação em discos de Alta Fidelidade de 150 Watts marca Gotham e cabeças gravadoras de Alta Fidelidade "Grampian" com agulha aquecida."
Aproveitem!
1. Una Miradita e Nada Más
(H. Suarez)
2. Da Cor do Pecado
(Bororó)
3. Cansei
(Fortunato Benchimol)
4. Convite ao Samba
(Inaldo Vilarim / Gaúcho)
5. Jóia
(José Marinho / Baden Powell)
6. The Tender Trap
(J. V. Heusen / S. Cahn)
7. Pastorinhas
(Noel Rosa / João de Barro)
8. Ai Yoyô
(Henrique Vogeler)
9. Contratempo
(Gaúcho)
10. Quem Passa na Vida Sorrindo
(Fortunato Benchimol)
Um disco raro, lançado em tiragem limitada pelo selo americano Folkways Records, em 1956.
No folheto que acompanha o disco, ficamos sabendo, e apenas isto, que se trata de uma gravação feita com equipamento primário em Mar Grande, Itaparica, na Bahia, pelo antropólogo italiano, radicado nos USA, Carlo Castaldi. Cantada e executada por moradores locais, amadores portanto, revela algumas gratas surpresas.
Todas as faixas são consideradas "motivos populares", ou seja, canções que foram adquirindo notoriedade com o tempo, sem que lhes seja atribuida a autoria. É do povo.
E chamo logo a atenção para a faixa 2 do lado A: uma embolada surgida, pelas mãos e vozes astutas da dupla baiana Tom & Dito, a quem se atribui a autoria, como o tema de abertura da série da TV Globo "A Grande Familia" e que deve render um bom dinheiro a dupla...ora, como podemos observar, trata-se de um "motivo popular" já conhecido dos moradores de Mar Grande na década de 50, mas não tem dono mesmo...
Também é motivo para atenção a faixa 3, do mesmo lado, grafada no disco (as faixas não têm nomes) apenas como um tema em "rhythm of samba", e que é, na verdade, sem tirar nem por, a "macumba" Pena Verde, de J.B. de Carvalho, grande estudioso de ritmos afro-brasileiros. Estudou bem o nosso J.B. de Carvalho...
Mas o disco inteiro é curiosissímo contendo farto material para pesquisadores e estudiosos. Tem choros instrumentais sensacionais; marchas-rancho e, principalmente emboladas com letras muito engraçadas e maliciosas. Toda a sabedoria popular de músicos amadores baianos, recolhida durante séculos, vêm a tona neste "disquinho" fantástico.
A capa é do estilo "nada a ver" com o conteúdo (não sei de onde tiraram esta capa) mas os americanos têm um crédito enorme para com a MPB pois pagam tributo a um assunto raramente, para dizer nunca, tratado com seriedade por brasileiros. Ponto para eles então!
obs: lamento por alguns "pulos" e "clicks" em determinadas faixas (notadamente a 1 do lado A). Achei este disco num sebo em NY em estado deplorável, creio que o resultado obtido após processar com o SoundForge foi razoável. Vale a pena escutar. Quem tiver uma cópia melhor e quiser disponibilizar agradeço muito.